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sexta-feira, 4 de março de 2011

Chego o Carnaval

Carnaval, uma data que para os religiosos e um terror, porém gostam muito do feriado. Que as pessoas religiosas não são muito fãs dessa festa todo mundo sabe. Existe uma coisa chamada GRAÇA COMUM, que significa uma graça que é derramada sobre todos, exemplo: o ar de todos os dias, o sol, a música entre outras.

Uma graça comum que DEUS deixo para todos foi a SABEDORIA, temos sabedoria para saber o que é certo e o que é errado, o que é bom e o que é ruim.

Assista o desabafo de uma reportar que usou de sabedoria.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Historias, Nossas Historias, Dias de Lutas, Dias de Glorias Parte 01

sábado, 5 de dezembro de 2009

Claudia Leitte: “Faço cultos por telefone”

"Cantora costuma ligar para mãe e amigos distantes e estuda a Bíblia com eles pelo aparelho


A cantora Claudia Leitte sempre fala em Jesus Cristo, mas não se considera uma pessoa religiosa.

- Sou espiritualista. Eu estudo a Bíblia todos os dias quando estou sozinha e com minha família. Pode ser em casa ou no escritório. Tenho a Bíblia no meu Iphone. Sou cristã fervorosa, Deus é a maior força do universo. Considero que Jesus é meu senhor e salvador. Mas não tenho religião.

A loira revela que, em momentos de dúvida, não titubeia em entrar em contato com a família e amigos distantes e fazer um culto por telefone com eles.

- Ligo para minha mãe digo que preciso de oração. Também tenho amigos intercessores em Goiânia. Fazemos um culto por telefone, uma conferência espiritual pelo aparelho.

Quando questionada se já presenciou algum milagre em sua vida, ela é rápida na resposta.

- Muitos. Meu filho ter se curado da meningite foi um milagre. Mas acordar todos os dias de manhã para mim também é um grande milagre." G1


Pessoal muitas pessoas esquecem da palavra de DEUS e pecam. ALguns podem ler esse POST e querer criticar a Claudinha Leite por falar que não tem Religião, porém, venho dizer que quando Jesus venho nesse mundo, Ele não veio ganhar almas para alguma religião e sim para o Reino de DEUS. Outros podem julga-la pelas roupas, musica e modo de dançar, acredito muito na biblia, e la diz assim "Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados..." (Lucas 6-37). Não cabe a nos falar sobre as roupas, musicas, danças e ate mesmo atitudes, DEUS e o nosso grande juiz e Jesus nosso advogado, vamos usar o maior dom que é o "AMOR"

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Artpella: Harmonia de vozes conquista Sergio Saas e Izabeh

"Que todas as pessoas possam escutar sobre o amor de Jesus; como ele modificou a nossa vida", disse Dan, um dos integrantes.

Por Felipe Pinheiro - www.guiame.com.br

Em franca expansão no Brasil, os louvores evangélicos têm crescido numa variante que tem encontrado cada vez mais adeptos: a Black Music.

Contribuindo para a resolução de uma identidade nacional do estilo, o Artpella tem demonstrado que já se encontra no seleto grupo da música black gospel, formado por nomes como Sergio Saas e Izabeh. Ambos fizeram uma participação especial no show de lançamento do primeiro CD do grupo, que lotou o Teatro Anhembi Morumbi (SP) no último domingo, 20. Ainda estava prevista a participação de Danilo e Coral Kadimiel, cujo motivo da ausência ainda não foi confirmada.

Dividida em duas sessões, a apresentação de caráter intimista do trabalho "Negro Pop spiritual", contou com o incentivo de Beto Marden (apresentador do SBT), que chegou a relembrar o programa Astros quando desafiou Caroline Moline, sem saber que era sobrinha de Di Groove (o líder do Artpella), a tentar ganhar um CD caso conquistasse o público com a sua voz. "Tem gente boa na plateia também", disse Caroline entusiasmada com o sucesso do conjunto, em entrevista ao Guia-me.

"Não tinha noção do Artpella, embora soubesse que eles tinham vencido o Astros. Quando eu escutei no Youtube, caí pra trás", revelou o músico Izabeh sobre a agradável surpresa que teve.

"O Rodrigo, Di Groove, é uma pessoa fabulosa; é um homem que dá muito testemunho cristão. Você percebe imediatamente que Cristo mora no coração dele", compartilhou Izabeh.

Acompanhando o grupo desde o começo, Sergio Saas, um dos precussores do estilo à capela e uma das influências do Artpella, refletiu sobre o costume adotado pelo grupo. "Por conta da repressão, o estilo à capela foi bem mais divulgado nas igrejas tradicionais, já que nessas denominações não se podia usar bateria. Mas se for pensar num cenário secular ou evangélico, à capela não foi utilizada nem 10% do seu potencial", avalia.

Compositor da canção "Poder de Deus", faixa emprestada ao CD do Artpella, Saas entende que a forte identificação do público com o estilo se deve justamente pela ausência de instrumentos: "Com à capela há uma clareza perceptiva do cérebro para entender algumas informações musicais como por exemplo a harmonia e a melodia. Por isso, tem esse apelo mais emotivo, reflexivo. Isso vem do negro spiritual, com toda aquela tristeza, nostalgia".
Após conhecer o Artpella pelo YouTube, o casal Kelly Cristina (22) e Denilson Andrade (26) pôde conferir de perto uma apresentação. "Foi mais do que um show, foi um culto de adoração ao Senhor Jesus, sentimos o Santo Espírito presente naquele teatro. Foi uma noite muito especial, que o Senhor possa abençoar o Artpella grandemente", relatou Kelly, acompanhada do namorado Denilson, um dos vencedores da Promoção Guia-me Leva Você ao Show do Artpella.

Artpella e a Black Music

Celebração, Vocal Brothers e Art'n Seven foram os nomes do Artpella durante 14 anos de ministério, até a formação atual.

"É igual quando a gente passa a vida inteira querendo um filho e aí ele nasce. Foram anos batalhando bastante, mas Deus abençoou e estamos agora lançando o disco", disse ao Guia-me o líder Di Groove.

O primeiro álbum, cuja produção foi viabilizada após a venda do Kia Picanto no Astros, agrega um novo sentido à Black Music. "Inserimos o pop por essa pegada mais contemporânea. Optamos por fazer algo diferente dentro do negro spiritual, que é algo que já gostávamos muito de fazer. Inovamos criando esse estilo novo", apontou Di Groove.

Ao contrário da explosão do estilo louvor e adoração no Brasil, encabeçado por nomes como Diante do Trono, David Quinlan e Fernandinho, o gênero com origem no gospel americano ainda permanece com uma repercussão tímida, ainda que crescente.

"Nós não temos uma identidade telógica como o louvor e adoração. Toda música gospel tem que ter uma identidade teológica. A restrição da Black Music eu acho que é por essa questão da negritude. A negritude ainda é algo que estranha", explicou Izabeh.

Debaixo do Poder

Desde a vitória no programa, principal contribuição para a visibilidade nacional do Artpella, apenas um integrante foi substituído. "Tive a melhor recepção do mundo e me desenvolvi bastante junto com grupo. Tenho aprendido a forma de amar com essa família", afirmou Lelis, que há seis meses é uma das duas vocalistas.

Além das canções que se tornaram sucesso no canal de vídeos Youtube, como Santo Espírito e Vivo, esta que garantiu a vitória do Artpella na competição do SBT, o álbum tem entre as composições uma releitura de um sonho de um dos integrantes.

"Estava precisando de uma música e Deus me deu essa letra por um sonho em que eu via a Nova Jerusalém. Lá eu encontrava muitas pessoas e Jesus me dava um abraço debaixo da árvore da vida. Eu tentei transmitir isso através da letra, melodia e puro sentimento", revelou o vocal Cleiton Frack, sobre a faixa Nova Jerusalém.

Não limitado a cantar na Igreja, o Artpella vai aonde Deus direcionar. "Que possamos ir em todos os lugares do mundo. Que todas as pessoas possam escutar sobre o amor de Jesus; como ele modificou a nossa vida", garantiu Dan, um dos integrantes, sobre o seu desejo em relação ao ministério.

Fora a música, o figurino também traduz a principal finalidade do grupo, que é levar a Palavra de Deus, conforme explicou Di Groove: "O presidiário lembra quando estamos escravizados pelo pecado. Mas Jesus pela glória imensa que ele tem já nos perdoou e vestimos essa camisa para representar a liberdade com Jesus. Por isso o contraste do estado do presidiário com a roupa branca, que significa a pureza e a liberdade".

domingo, 20 de setembro de 2009

MC Marcinho vai abandonar o funk e se dedicar à música evangélica

Desde que estourou, em 1994, com o "Rap do solitário", MC Marcinho esteve sempre nas paradas de sucesso. Nos bailes funk, em casamentos e até em festas de bacana. Uma realidade que deve acabar daqui a algum tempo. Marcinho decidiu que vai largar o funk para seguir a carreira de cantor evangélico.

"Sou muito grato a Deus por estar vivo. Ele tem feito muito por mim. Não tenho uma data marcada, mas sei que alguma hora recebo o sinal e vou me dedicar à carreira evangélica".

Dois grandes sustos levaram Marcinho a se aproximar da igreja. Em 2006, ele sofreu um grave acidente na Via Dutra e teve que passar por várias cirurgias na perna esquerda. No mesmo ano, outro susto: bandidos dispararam contra o carro do funkeiro numa tentativa de assalto. Por sorte, nem ele nem sua família foram atingidos.

Depois desses episódios, o MC começou a ver a vida com outros olhos e enxergou na religião um bom caminho. A mãe dele é missionária e a filhinha de 9 anos já canta na igreja. Hoje, nos bailes, ele interrompe o pancadão para fazer um louvor a Deus.

"Depois que eu sofri o acidente, voltei para a igreja. Me batizei, tenho frequentado o culto, dando meu testemunho".

A carreira no funk também está indo muito bem. Ele faz vários shows por semana e vai lançar seu primeiro DVD, gravado no Circo Voador. "Tudo é festa" tem várias participações especiais, algumas músicas inéditas e grandes sucessos, como "Glamourosa" e "Garota nota 100".

Marcinho acredita que sua recuperação veio através da fé. Três anos depois do acidente, ele ainda faz fisioterapia para fortalecer a musculatura da perna. O maior desejo do MC é voltar a jogar sua peladinha de fim de semana.

"É disso que eu sinto mais falta. E eu jogo bem, hein!", tira onda o funkeiro flamenguista, que atua no meio-campo.

Fonte: Extra

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"Deus não quer moralismo, Deus quer pureza", diz Jasiel Botelho em entrevista sobre sexualidade


Idealizador do "Jovens da Verdade" critica tabu mantido nas igrejas ao abordar o assunto

Por Juliana Simioni - www.guiame.com.br

Pastor e missionário, Jasiel Botelho sonhou com o ministerio aos 17 anos e fundou, em 1968, a Missão Jovens da Verdade, com o objetivo de evangelizar jovens, edificá-los e treiná-los para que estivessem engajados na tarefa de estender o Reino de Deus no Brasil e no mundo. Na década de 70, comprou um sítio em Arujá (SP), que é hoje o Acampamento Jovens da Verdade.

Palestrante, Botelho trabalha com sua esposa Ivone no aconselhamento de casais, além do ministerio com jovens. É autor de livros de humor e para a juventude, como "Rir é coisa séria", "Fonte da juventude" e "Em busca da costela perdida".

Em entrevista, Botelho, que também é chargista e mantém o blog Humor Cristão, fala com liberdade sobre sexo na juventude, visão da igreja sobre o tema, medidas adotadas por pais e pastores quanto ao relacionamento dos jovens, e defende: "Poucas vezes ouvi alguém falar bem do sexo, por isso eu tenho levantado essa bandeira de que vale a pena se preservar virgem para o casamento".

Guia-me: Por que, em sua opinião, algumas pessoas veem o sexo como pecado?

Jasiel Botelho: A sexualidade é um assunto que ainda é um tabu tanto na igreja quanto na sociedade. E não deveria ser tabu na igreja porque quando a gente vai trabalhar a questão da sexualidade, a gente percebe que esse tabu está em todas as pessoas, até nos casais. As dificuldades que as pessoas enfrentam para desfrutar da excelência do relacionamento sexual é um conceito errado que eles tem do sexo. E esse conceito errado tem várias causas. A primeira é a educação, ou seja, as pessoas não aprendem com os pais e aprendem com os amigos. Os pais até hoje tem dificuldade, com raras exceções, de ensinar para os filhos. E a juventude de hoje não aprendeu de uma forma correta. Todas as informações de sexualidade que eles tem, são informações erradas. A outra é a questão da própria igreja que tem muito tabu por causa da carnalidade. A palavra carnalidade é muito combatida na bíblia e a gente entende como sexo e que tem a ver com o corpo, quando, na verdade, a carnalidade tem a ver com a natureza pecaminosa da pessoa. A pornografia é outra causa que ajuda a criar esse conceito de pecado. Tudo isso leva a gente a ter esse fantasma de que sexo é uma coisa ruim. Sexo foi feito por Deus antes da queda, foi uma bênção que Deus deu e a queda afetou a sexualidade, mas no casamento você pode ter uma sexualidade completamente pura e santa com seu cônjuge. Luto para ver essa juventude mudar, principalmente a juventude cristã. Não deixar se perpetuar esse tabu e imagem negativa que se tem a respeito do sexo, isso não ajuda o jovem a ter uma vida pura. A gente pensa em não instruir sobre sexo para não despertar curiosidade, mas o adolescente e o jovem tem todo o direito de saber tudo sobre sexo, quanto mais souber, mais protegido estará. Ele só não deve fazer, mas deve saber.

Guia-me: O senhor acredita que o pecado relacionado à sexualidade seja visto como um pecado mais grave?

Jasiel Botelho: Ainda é. Você vai encontrar pastores extremamente vaidosos e soberbos, mas que não acontecesse nada com eles, e um dos pecados que Deus mais resiste é a soberba. Você vai ver pastores que ficam pregando 'abobrinha', pregando heresias, pastores que pintam e bordam com dinheiro, pegam o dinheiro da igreja para conquistar seus próprios patrimônios e também não acontece nada com eles, mas se ele faz qualquer coisa nessa área sexual, é disciplinado. Não estou dizendo que não deva ser disciplinado, mas a igreja realmente tem o pecado sexual como praticamente o único pecado. Na teoria não, mas na prática é assim.

Guia-me: Como a igreja tem dialogado com o jovem sobre a sexualidade e como pode dialogar?

Jasiel Botelho: A gente fala generalizando, mas eu creio que a igreja ainda tem muita dificuldade de tratar esse assunto com a juventude. O jovem está à frente de seus líderes e o pastor ainda não se sente preparado ou com liberdade para falar desses assuntos. Eu que trabalho nessa área, conheço poucos colegas que são pastores e líderes e tem liberdade e coragem de tratar a sexualidade. Vejo outros tratando, mas com muita espiritualidade e acho que não é por aí, claro que o sexo é uma coisa espiritual, mas sair espiritualizando tudo fica difícil, tudo na base do pecado. Poucas vezes ouvi alguém falar bem do sexo, por isso eu tenho levantado essa bandeira de falar bem do sexo para o jovem e de que vale a pena se preservar, se conservar virgem para o casamento porque é uma coisa boa e não por medo de que ele vá ser castigado, vá pegar uma doença, vá pro inferno ou qualquer coisa assim. O sexo é uma necessidade humana, tanto que os presos também tem esse direito. Mas eu creio que a igreja evangélica ainda tem muita dificuldade em tratar isso com o jovem.

Guia-me: Quando e como as experiências sexuais do jovem podem afetá-lo mais tarde?

Jasiel Botelho: Creio que tudo que acontece na sexualidade do jovem de uma forma errada vai afetá-lo no futuro, em seu casamento. Por exemplo, uma menina que é abusada quando adolescente ou se alguém usou de libidinagem com a moça, ela vai ficar marcada e no casamento terá dificuldade em manter um relacionamento de liberdade com seu esposo. Um namoro com mais libertinagem, com amassos ou mesmo uma relação sexual, vai produzir na moça ou no rapaz um fantasma que, quando eles tiverem um relacionamento sexual dentro do casamento, vão sentir-se acusados por estarem fazendo coisa errada e se eles não tratarem o problema, nunca vão chegar a um relacionamento pleno, com liberdade.

Guia-me: Como os pais devem tratar esse assunto com naturalidade se o ensinamento que eles passam é contrário ao que diz a sociedade?

Jasiel Botelho: A sociedade foi para o outro lado. O que eu tenho orientado aos casais é que eles devem tomar banho com seus filhos até certa idade, 9 ou 10 anos, porque isso tira a curiosidade da criança na questão do corpo e da nudez. Antes, a gente orientava os pais a falarem sobre sexo quando o filho perguntasse, mas agora a gente sabe que não pode ser assim. Antes de a criança ir para a escola com 6 anos, ela já deve estar sabendo, portanto, o pai e a mãe devem encontrar um meio de ensinar a ela, porque senão ela vai aprender na escola e da forma errada. É claro que é difícil você passar ao seu filho uma coisa que seu pai não passou para você, essa é a maior dificuldade dos pais em falar de sexo com o filho, sendo que seus pais não falaram de sexo com ele. Difícil dar uma coisa que não recebeu, por isso, os pais devem procurar o recurso dos livros sobre sexualidade. Aconselho os pais a darem um livro sobre sexo para seu filho adolescente, que ele não precise ler no banheiro, no escuro e nem escondido, mas que ele possa ler na sala e, claro, faça um esforço para orientar sobre a menstruação, a polução noturna, os órgãos genitais, a gravidez e conversar naturalmente sem se sentir chocado com as perguntas dos filhos. Quanto mais aberto tiver esse 'canal', mais seguro estará o adolescente ou o jovem. Quando a criança aprende sobre sexo pela boca dos pais, é completamente diferente de quando aprende por terceiros.

Guia-me: O senhor concorda com o namoro de corte e tempo de oração estipulado por pastores e líderes para que os jovens iniciem um relacionamento?

Jasiel Botelho: Eu não experimentei, sou de uma igreja tradicional e isso é prática de algumas comunidades. Não acho errado e não tenho experiência nisso, mas pelo o que eu já ouvi falar, às vezes é um exagero por parte da liderança. Já vi casos de jovens se revoltarem e eu acredito que você tem que tomar cuidado para não impedir a liberdade da pessoa, porque o evangelho nos traz liberdade. Como os pais podem mandar no coração dos filhos? A gente recomenda que até os 18 anos o jovem deva ter a autorização e o apoio dos pais para se envolver com uma pessoa, mas a gente sabe que depois dos 18 anos a pessoa tem liberdade de tomar decisões. Os jovens já têm dificuldade em mostrar seus sentimentos. Se hoje a menina gosta de um rapaz, ela tem uma dificuldade muito grande em dizer isso para ele e vice-versa. Se tiver mais essa pressão e esse controle da igreja de que para namorar tem que passar pela autorização do pastor, fica difícil. A gente não manda no coração, por isso eu fico mais com o pé atrás do que dizendo 'jóia'. Por outro lado, minha sobrinha esteve nesse esquema e deu certo. Mas e se o pastor diz sim e os pais dizem não? Ou se o pastor diz não e os pais dizem sim? A quem ele vai ouvir, aos pais ou ao pastor?

Guia-me: E quanto aos símbolos de castidade adotados por algumas comunidades? Servem de estímulo para o jovem se manter sexualmente puro?

Jasiel Botelho: Eu acho válido todo esforço para ajudar o jovem a preservar-se virgem. Quando eu comecei a namorar minha esposa, ela havia sido discipulada por uma missionária que a ensinou a namorar somente com o 'semáforo' (sinal verde, amarelo e vermelho). Porque eu sempre digo, todo rapaz tem uma mão boba ou as duas [risos] e no namoro a gente quer fazer carícia, sendo que a fase do namoro é para o carinho. A carícia é para o casamento. Interessante que depois do casamento, a reclamação das mulheres é que os maridos não são cariciosos. Então, no nosso namoro, toda vez que a mão boba ia agir, ela falava: 'Oh, sinal amarelo' e eu tinha que recuar.
Acredito que tudo isso ajuda para que o jovem se preserve e, com tudo isso, ainda corre perigo, todo cuidado é pouco. Eu tenho colegas que criaram suas filhas com tanto carinho e elas engravidaram, é vergonhoso. Ter uma filha grávida deveria ser uma coisa maravilhosa e é maravilhoso, mas dentro do tempo certo, com a pessoa certa. Então, todo esforço, menos a violência, menos a ignorância, o tabu, é válido para ajudar o jovem a preservar-se.

Guia-me: O senhor acredita que a mídia seja a grande influenciadora da sexualidade distorcida dos jovens?

Jasiel Botelho: A mídia traz coisas boas e ruins. Não acho de todo mal essa abertura da sexualidade, porque o tabu prejudica mais do que a liberdade. Por outro lado, a mídia também tem a sua censura. Embora a sociedade mostre isso, nenhum pai e mãe quer ver sua filha grávida antes do tempo. A mídia mostra, mas não é verdade. Ela mostra coisas que causam indignação nas pessoas, assim como mostra o homossexualismo de uma forma positiva, mas a sociedade reage. Toda essa luta para legalizar o homossexualismo com passeatas e marchas é rejeitada pela sociedade, porque não fomos criados para isso.
Acredito que seja na faculdade que o jovem passe mais dificuldade. Onde há muita liberdade, as construções morais são quebradas e é quando o jovem costuma praticar sexo. Aí vem o sexo com preservativo, que a igreja é contra, mas não pode ser contra, porque se o jovem vai fazer de qualquer maneira, entre uma relação protegida e uma relação desprotegida, melhor que use preservativo para evitar doenças e a própria gravidez.
Creio que às vezes a mídia exagera por causa do nosso moralismo. Deus não quer moralismo, Deus quer pureza. Por isso, eu falo que a gente pode contar piada de sexo, desde que ela não seja obscena. O sexo é uma coisa bonita, divertida. Eu acho que a igreja exagera no moralismo e no tabu. Se ela levasse o assunto com mais liberdade, a mídia não precisaria ficar provocando.

Fonte: Guia-me

domingo, 5 de julho de 2009

Músicos evangélicos conseguem vitória contra a Ordem dos Músicos do Brasil

Músicos evangélicos conseguem vitória contra a Ordem dos Músicos do Brasil... Quando vemos isso da ate susto. OMB, Ordem dos Músicos do Brasil, notificou a igreja evangélica BOLA de NEVE, que tem sede em São Paulo, pelo fato de não ter seus "Levitas", músicos cadastrados na mesma. Confira a entrevista com a Dra. Taís Amorim, especialista em Direito Eclesiástico, que resolveu entrar na justiça contra uma imposição arbitrária da Ordem dos Músicos do Brasil.




Fontes: Guia-me, OGalileO

sábado, 20 de junho de 2009

Afrika Bambaataa



Viajando pela Net achei essa entrevista com o, Afrika Bambaataa, que foi o idealizador de um dos maiores movimentos mundiais conhecido como "HIP HOP". Segue na integra o texto que foi retirado do site: Central Hip-Hop. E mesmo Afrika Bambaataa não sendo, pelo que eu li sobre ele, um "Crente", as pessoas prescisam saber do seu testemunho de vida...

"Enquanto o maior representante da igreja católica chegava ao Brasil para uma curta visita, o "Papa do Hip-Hop", Afrika Bambaataa, já andava por terras brasileiras, promovendo a mensagem da Universal Zulu Nation, da cultura Hip-Hop, da paz, da união e, principalmente, da diversão. São mais de 30 anos de Cultura Hip-Hop. De lá pra cá muita coisa se passou. Afrika Bambaataa, 50 anos, viu o que antes era um simples "movimento" virar uma cultura global e sua voz ser escutada e respeitada no mundo todo. Com apresentação marcada para o Skol Beats 2007, no Anhembi (confira a galeria de fotos), Bambaataa trouxe consigo seu filho, o MC TC Izlam, King Kamonz, DJ Soul Slinguer e toda sua energia positiva.

Num encontro descontraído com o Portal Bocada Forte e a jornalista Cinthia, da Zulu Nation Brasil, no hotel onde se encontrava hospedado, Bambaataa falou sobre como vê o mundo hoje e suas preocupações, espiritualidade, a música Rap e, claro, Cultura Hip-Hop.

Bocada Forte: Nós ouvimos você comentar de sua preocupação com a violência no Brasil... Afinal, o que vem fazendo Bambaataa se preocupar e refletir nos dias de hoje, além da violência?

Afrika Bambaataa
: O grande problema no mundo hoje é o acesso ao conhecimento, a educação. Também a questão do racismo e do poder branco, da "supremacia branca". Muitos dos meus irmãos e irmãs do Brasil precisam esforçar-se para aumentar seu conhecimento sobre si mesmos e os outros. Por exemplo... Isso significa, que aqueles que se chamam pretos brasileiros precisam saber que seus ancestrais não vieram ao Brasil somente em navios negreiros, como escravos. Vocês são os herdeiros de um povo que estava aqui muito antes desta terra ser chamada Brasil, ou América Latina, ou América Central ou do Norte. Seus ancestrais aqui viviam, assim como os Maias, Astecas e tantos outros povos. É preciso que a juventude passe a estudar, conhecer e a debater como era o Brasil antes de ele ser chamado Brasil. É preciso buscar as reais origens, não somente de quando os europeus por aqui chegaram.

Quando você se aprofunda no estudo das raízes da história você fica sabendo quem estava aqui muito antes de Colombo pisar aqui. No filme feito por Mel Gibson, chamado "Apocalíptico", por exemplo, você não vê uma representação dos Maias com pele clara, fantasiosa. Vê homens com chapéus quadrados, cabelos rasta, com locks, pele mais escura, exatamente como realmente se pareciam as pessoas daquela época. Essa é uma representação baseada em estudos. Outro exemplo: você sabe da história de Zumbi? Você pode encontrar muita coisa nos computadores, na Internet sobre ele, mas muito poucos livros. As pessoas recebem a informação de que a cultura do povo preto começou com a escravidão, mas isso não é verdade. Assim, nós precisamos matar o racismo e mostrar a todos que pretos, marrons, vermelhos, amarelos, brancos somos todos seres humanos.

Verdadeiramente, não existe uma terra chamada "terra dos pretos", "terra dos marrons", "terra dos brancos", "terra dos vermelhos". Isso tudo é uma cultura de supremacia branca. A real questão é onde você nasceu, o seu berço, qual sua nacionalidade, de onde você veio. Daí se percebe que a real luta é a luta contra a violência entre os povos. A luta é cidade à cidade, favela à favela, rua à rua, nas esquinas. Cada um fazendo sua parte, dando o melhor de si. Buscando o conhecimento de si mesmo e da vida podemos vencer e realmente libertar-nos.

Cinthia (Zulu Nation Brasil): Bambaataa, nós gostaríamos de saber como foi sua vida quando mais jovem e como veio a cultura Hip-Hop nessa época?

Bambaataa:
A vida era realmente uma batalha, gangues de rua e violência por todos os lados. Mas em meio a tudo tínhamos, por exemplo, grandes professores do Islam. Pessoas como Malcom X, Louis Farrakan. Tínhamos o Partido dos Panteras Negras, Angela Davis. Tínhamos grandes cantores pela paz como James Brown, Aretha Franklin, Sly & The Family Stone, Isley Brothers, John Lennon, e tantos outros. Seja em suas músicas ou discursos, todos me ensinaram algo de bom. Algo que me auxiliou a moldar minha mente de forma positiva e tirar-me do ócio e do crime, me levando a pensar em fazer algo pelo meu povo. Na sequência também veio o grande professor Martin Luther King, o "Young Lords Party", o movimento do Partido Porto-riquenho, tudo foi me despertando pra algo maior.

Foi então que assisti a um filme na TV chamado "Zulus", onde os Zulus da África lutavam pela sua liberdade contra os britânicos, que tentavam invadir suas terras. Isso me despertou e me fez imaginar: "quando eu for mais velho vou querer ter a minha Zulu Nation, um dia". E hoje temos a Universal Zulu Nation e quem sabe no futuro não poderemos ter a nossa "Galáctica Zulu Nation", indo de planeta a planeta defendendo a paz.

BF: Todos sabemos que você tem uma ligação muito forte e especial com o lado espiritual. Ao mesmo tempo, hoje vivemos num mundo extremamente violento e materialista. Como despertar as mentes das pessoas, dos jovens, para a paz, as coisas boas e positivas?

Bambaataa:
Antes de tudo é preciso haver organização e que se tenham bons mestres, professores, oradores. Alguém que fale a juventude assim como aos nossos ancestrais. Ensinar o respeito a esses ancestrais, nossos avós, bisavós e tataravós. A sua mãe é a minha mãe. Sua irmã é a minha irmã. Seu pai é o meu pai. E quando todos se olharem dessa forma, respeitando os mais antigos teremos um mundo melhor. Sabe, o que muda o Hip-Hop é a sua parte negativa, que vem principalmente dos Estados Unidos. A gente vê todo mundo se chamando de "niggaz" (negros), "bitches" (prostitutas). Daqui a pouco eles estão falando que sua mãe é uma vagabunda. Que sua irmã é uma vagabunda. E de repente todos começam a achar isso comum e corriqueiro e você começa a chamar sua mãe de vagabunda e sua irmã de vagabunda, seu irmão de "negrão"... E aí você se torna um imbecil. Afinal, pessoas morrem todo o dia por causa disso. Mas você continua a usar esses termos entre as pessoas que convive. Aí então um europeu chama você de "negrão" e você não vai gostar. Vai ficar irado. Mas como você vai ficar bravo se você mesmo se chama "negrão" e gosta de chamar os outros assim?

Então, precisamos mostrar aos jovens a sua real identidade, quem são seu povo, quem são seus ancestrais e seus reais valores. E precisamos ver na TV a história de Zumbi, a história dos Panteras Negras, do Movimento pelos Direitos Civis nos Estados Unidos, a história da África do Sul, a história do Brasil e todos seus problemas, a história da Cidade de Deus. Aí vendo isso as pessoas terão de pensar: "nós precisamos fazer algo a respeito destes problemas". Então precisaremos de oradores. Pessoas que falem como Farrakan, como Malcom X, como John Lennon.

Cinthia: O que você pensa dos rappers atuais e desse "novo estilo de Hip-Hop"? De artistas como 50 Cents que se auto-denominam "do Hip-Hop" e, na minha opinião, não o são. O que você pensa sobre isso e sobre suas letras, que tratam de sexo, grana e violência?

Bambaataa:
Bem, o 50 Cents continua sendo meu irmão. E ele representa um lado do Hip-Hop. Nós não temos de nos preocupar apenas com o 50 Cents, mas com as Rádios que têm programas que "programam sua mente" diariamente, por todo o Brasil, por todo os Estados Unidos, por todo o mundo. Se você toca 50 Cent, você ainda tem Commom Sense, que é outro MC. Se você toca Missy Eliot, nós ainda temos Soul Sonic Force e Sugar Hill Gang. Se você toca Limp Bizkit e Korn, nós ainda temos Beatles e os Rolling Stones. Se você toca o novo samba, nós teremos o velho samba. Você toca o novo Hip-Hop, nós temos o velho Hip-Hop. Se você tem algo novo, você sempre terá algo mais antigo. Então, se você toca coisas novas, dê também espaço para as coisas velhas. E eu não falo só de coisas velhas, com 10 ou 5 anos de idade, mas música dos anos 40, 50, 60. Vamos misturar isso. Vamos fazer com que as pessoas escutem de tudo um pouco. De repente as pessoas estarão ouvindo a rádio e dirão "ei, isso é James Brown e os caras do grupo tal usaram naquele som novo". Ou então você dirá "puxa, isso é Tim Maia. Veja o que ele fazia naquele tempo". Dessa forma, as pessoas poderão sentir a diferença. Precisamos chegar nas estações de Rádio e TV e dizer "ei, nós queremos mais equilíbrio na programação. Queremos saber também do passado, das músicas antigas, dos artistas mais velhos e dos trabalhos de artistas independentes também". Só assim os artistas como 50 Cents começarão a cair em esquecimento. Começarão a ser ignorados aos poucos. Você terá os gangstas, mas terá também os artistas que falam de amor, de paz. As pessoas poderão dizer "ah, mas isso é contraditório". Mas nós sempre teremos o bom e o ruim. Nós somos bons e ruins. É o "Ying e Yang". Todo ser humano tem seu lado bom e ruim.

BF: Bam, aqui no Brasil nós temos muitas dificuldades em realizar grandes eventos. Em conseguir verba para realizá-los. Ao contrário dos Estados Unidos e de outros países onde o Hip-Hop é maduro, como a França, as grandes empresas demonstram não ter interesse na cultura. Como lidar com isso?

Bambaataa:
Muitas empresas desejam ficar cegas, surdas e mudas. Não importa a eles o que a juventude vem fazendo. Eles querem mais é fazer dinheiro e ampliar o controle sobre você. Eu olho aqui (Bambaataa olha pela janela do quarto do hotel, onde se tem uma bonita vista da cidade) e vejo muito mais prédios que em Nova York. Eu vejo como em Tóquio, no Japão. Então não há razão para que não encontremos pessoas morando nas ruas, passando fome ou morando em favelas. Mas se cada pessoa nesses grandes prédios doassem um Real cada, seria um milhão para que pudéssemos realizar algo bom. Para limpar a área, tirar as pessoas das ruas, da fome. Para fazer uma escola. E assim você reúne um real de cada pessoa em outra grande comunidade de São Paulo e constrói um grande centro de estudos para jovens. Algo que seja bom ou funcional para as pessoas.

As pessoas precisam aprender a não depender tanto do governo. As pessoas precisam se organizar verdadeiramente. Se todos decidissem não comprar mais cigarros e colocar esse dinheiro na "conta bancária do povo" muitas outras coisas boas poderiam ser construídas. A ajuda está em suas próprias mãos. Se você não fizer nada por você ou para mudar a situação e ficar esperando, nada irá mudar e todos continuaremos a ser dominados pelas grandes indústrias... Continuaremos a fazer parte do "Matrix". (risos).

Cinthia: Ao redor do mundo nós vemos demonstrações de reivindicações e lutas do povo negro na tentativa de conquistar mais espaço e direitos que nos foram suprimidos. Você acredita que ainda hoje nós negros somos unidos devido a nossa condição cultural ou porque somos negros?

Bambaataa:
O povo preto precisa estudar sua história. Esses são seus ancestrais (Bambaataa mostra livro de estudos muçulmano com a história dos povos antigos). Você precisa apoderar-se do conhecimento. Eles não desejam que você saiba que seu povo já estava aqui, a muito tempo antes de Colombo chegar. Você já se perguntou porque eles chamavam o povo daqui de índios? Aqui não existiam índios. Aqui não era a Índia. Mas você tem "índios norte-americanos", "índios sul-americanos", etc. Nossos ancestrais são de outro povo. Um povo bem mais antigo, presente aqui desde muito tempo. Mas eles não querem que você saiba disso (Bambaataa retira da sua bolsa outro livro e aponta). Eles criam sociedade secretas e mascaram a história. Eles não querem que você saiba o que aconteceu e o que acontece. Você sabia que muito da crença cristã vem dos antigos egípcios? Porque eles não desejam que você saiba disso? Porque eles não querem que você saiba quem estava lá antes dos europeus chegarem? Eles escondem tudo!

Cinthia: Eu não sei se me fiz entender, mas gostaria de saber, na realidade, se você acha que nós continuamos unidos pelo fato de sermos negros.

Bambaataa:
Pois bem... Eles desejam que nós continuemos brigando entre nós. "Eu sou preto. Eu sou marrom. Eu sou amarelo. Eu sou branco". Essas são as regras impostas. Você está vendo essa foto? (Bambaataa aponta para uma figura artística muito antiga numa foto). Ele é muito parecido comigo e contigo. Tem nariz grande, achatado, lábios grossos. Esses são seus ancestrais, que estiveram aqui. Eles estavam lá nos Estados Unidos muito antes de alguém por lá chegar. E eu não falo somente seu ou meu ancestral porque ele é preto, mas de todos nós independente da cor! E é assim que a supremacia branca se mantém. Eles não te ensinam isso. Você já se perguntou porque será que europeus e americanos são tão ricos? Ora, eles roubaram essa riquesa dos povos antigos! Roubaram tudo de nossos ancestrais. Você era rica no passado! Eles se apoderaram de tudo.

Pergunte-se: porque vemos tantos obeliscos e figuras piramidais por todo lado em São Paulo ou em outras grandes cidades do mundo? Isso tudo vem da cultura de nossos remotos ancestrais. Do Egito antigo! Repare nos livros sagrados da Bíblia e em muitos outros existentes. Todos contam as mesmas histórias de formas diferentes. Todos baseados nos relatos egípcios.

BF: Conte-nos sobre a época que tínhamos os punks juntos com os negros curtindo o Hip-Hop. Como foi essa experiência?

Bambaataa:
Sim, eles estavam lá junto conosco. Participando das festas que fazíamos. Os punks foram o primeiro movimento europeu a abraçar a cultura Hip-Hop. Nós devemos muito respeito aos punks e ao seu movimento. Eles não tinham medo de se aproximar dos negros, das festas. Eles ouviam James Brown e "caiam no funk", eles ouviam David Bowie e "caiam no funk". Nós tínhamos até punks fazendo música Rap!

Cinthia: E o racismo norte-americano diferente do racismo no Brasil?

Bambaataa:
O racismo é, em todo lugar, basicamente o mesmo. Você tem a posição de poder e o topo da coisa e tem a parte de baixo. A supremacia branca se coloca no topo e deseja ver a gente embaixo. Mas eles não percebem e não querem que você saiba que o negro pode vir em muitas tonalidades. Ele pode vir claro, quase branco, como Carmem Miranda ou como Gerson King Kombo ou Nelson Mandela. Mas eles querem que vocês briguem entre vocês. Até mesmo os brancos europeus são seus filhos, pois você ajudou a concebe-los.

Você acredita em Jesus, em Deus, em Xangô. Mas eu posso vê-la como uma deusa. Eu posso vê-lo como um deus. Você me atinge em espírito muito antes de eu ver sua cor. Mas eles não querem que você saiba disso. Eles não querem que você saia da "caixa de matrix". Olha pra lá (Bambaataa aponta para a televisão). Eles te contam mentiras. Eles te controlam por lá.

BF: Para finalizar, envie uma mensagem a todos da cultura Hip-Hop. MCs, Dançarinos de Rua, Graffiteiros, DJs.

Bambaataa:
Nós podemos amar a cultura Hip-Hop, mas se não tivermos conhecimento de como podemos modificar nossa situação, nossa comunidade e nosso espaço e aprendermos a respeitar nossos ancestrais, seremos sempre escravos. Ame a você mesmo, ame seus ancestrais, ame seu povo e tente fazer algo por você, pelos outros e pelo seu povo. Mas, principalmente, respeite a mãe terra!

Porque você pode amar o Hip-Hop, o funk, o jungle, o house, o gangsta, as festas, o sexo, mas se você não respeitar a mãe terra ela irá te cuspir pra fora. Tornados, terremotos, tsunamis... Ondas maiores que esses prédios (Bambaataa aponta para os altos prédios) te varrerão. Porque a mãe terra é uma entidade viva e você precisa respeitá-la. Porque se você não respeitá-la apenas uma faísca do sol te queima e te transforma em pó. Esse é o aquecimento global. Porque se nós não nos preocuparmos com o aquecimento global você não precisa mais se preocupar com o Hip-Hop, ou com o Rock´n´Roll, ou com o Jazz, nem com gangstas ou qualquer outra coisa, porque a natureza se encarrega de te dar um belo chute na bunda (risos)."

domingo, 30 de novembro de 2008

Talentos (não) devem ser explorados



Antes de ser atendida no consultório médico, a paciente recebe a ficha para preencher. Um dos dados requeridos a deixa intrigada.
– Não entendo por que o doutor Miguel precisa saber minha religião...
Solícita, a secretária dá a explicação.
– Ele é crente e só atende pessoas que aceitaram a Jesus como salvador e Senhor de suas vidas.
A ilustração é absurda porque o profissional envolvido é da área médica. Se fosse um músico, o enredo poderia ser observado com freqüência. Afinal, boa parte dos líderes crê que as igrejas são o único lugar em que cantores e instrumentistas devem usar seu talento.
Vivemos tempos estranhos em que aconteceu a ressurreição parcial do ofício dos levitas. Parcial, por que levitas pós-modernos só cantam ou tocam. Ninguém encontra um levita cuidando da limpeza ou da portaria, por exemplo. Pra completar, todos os textos bíblicos que tratam do sustento dessa tribo foram esquecidos.
Músicos que tocam na noite não serão aceitos em muitas igrejas, já que pastores costumam associar a noite às trevas, com exceção das vigílias da comunidade. “Deixe de tocar nesses antros de pecado que vamos lhe auxiliar no sustento”, repetem aos musicistas. No final do culto, o cara precisa esperar a looooonga fila de pessoas pedindo oração para receber grana suficiente para a passagem de ônibus e a tradicional “coxinha maranata”.
Se não tem outra opção profissional, o músico precisa “se virar nas trinta”. No caso, atividades diferentes para garantir um padrão mínimo de decência. Dá aulas de tuba e bateria em domicílio, ensaia grupos de outras igrejas, grava com artistas (se o CD não é cristão, ora fervorosamente para ninguém descobrir), toca em casamentos e chás de senhoras. Recusa apenas convites para missas de sétimo dia e baile de debutantes.
Algumas igrejas tradicionais têm mais cuidado com essa questão. O ministro de música fez curso de nível superior na área e é funcionário da igreja. Em outros lugares, alguns minutos de destaque durante o culto são uma moeda de troca eficiente.
O descaso com que a área musical estende-se também à compra de equipamentos. Sei de igrejas em que é quase necessário fazer uma assembléia para decidir a compra de cordas novas para a guitarra.
Do outro lado do ringue a coisa também não rola legal. Costumo afirmar que é possível avaliar o zelo do músico ao observar seu entorno. Cabos amontoados, instrumentos em mau estado de conservação e transparências com erros ortográficos são um bom indicador do descaso com que as coisas de Deus são (mal)tratadas.
Da mesma forma que determinados textos bíblicos são equivocadamente interpretados de forma literal, infelizmente ainda há líderes que levam ao pé da letra a expressão “explorar talentos”. Até quando, só Deus sabe.

BY: Sérgio Pavarini